Mais uma viagem com os amigos da mamãe. A menina, do tipo que fica na dela, incluía o sobe e desce de montanhas nos filmes que ela dirigia para si. Cada paisagem! Os personagens eram poucos, mas havia bastante diálogo. Tudo gravado a cada passo apoiado em toco de madeira. A direção fez pausa para almoço. Corta! O boteco do vilarejo não era exatamente digno de um brunch de set de filmagem, mas parecia honesto. A menina sentou-se no balcão ao lado da mãe. As duas amigas grandes dela foram buscar alguma coisa de beber no outro boteco. Uma terceira foi dar uma olhada na igrejinha. A menina pediu coxinha, era a última da vitrine, não ia ser suficiente para aplacar a fome. Ah, e também esse pedaço de queijo branco. Pô, esse queijo é massa, comentou o cabeludo que estava na banqueta ao lado. Essa gíria ela não conhecia, massa. Boa, vamos incluir no filminho. Deixa para rir depois, na fase de edição. Agora, o roteiro pede um encaixe. Talvez ele seja o mago da floresta encantada que guarda um segredo no cajado. Vai ficar legal o suspense medieval. Ou um músico muito famoso dos anos 70 que está perdido por ali, e serve bem para um roteiro de arte. As adultas também estão no mundinho delas, só que é bem mais barulhento. Como falam! Onde é que acham tanta graça? Sorte que o passeio rende bastante tempo para a filmagem.
Amanhã será numa gruta. O cajado encantado pode estar escondido debaixo de uma estalagtite - ou estalagmite, sei lá. Agora, filmagem noturna, com luz da lua. Cabe uma história de amor. O cantor que estava na pizzaria ontem à noite até que deve ter sido um adolescente bonitinho. Eles vão se encontrar na gruta, conversar e tal, e à noite quando estiverem passando pela ponte do riozinho vão encontrar o cabeludo tocando uma música em inglês. Vai ter fogueira, a maior galera, pessoal mais velho, de faculdade. Como será que é que beijar na boca? Ah, tá, mãe, já vou tomar a sopa. Nada não, com sono só. Pausa nas filmagens.
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